E o golpe vira realidade

              Em 31 de março, quando tudo favorecia João Goulart, o presidente recebe uma informação que muda a situação. A notícia de que havia tropas que marchavam para o Rio de Janeiro com o objetivo de derrubar o governo mostrou que o poder de Jango estava por um fio. Em Juiz de Fora, o general Olímpio Mourão Filho, após ouvir o discurso de João Goulart no Automóvel Clube, transformou em ação as insatisfações que cresciam nos quartéis com o governo de Jango. Apoiado por políticos e empresários influentes de Minas Gerais, que criticavam principalmente as supostas ligações do presidente com regimes comunistas, Mourão Filho mandou às ruas, em direção ao estado da Guanabara, 6 mil homens com a missão de destituir Jango do poder.

              Poucas horas depois, a Presidência da República divulgou uma nota lamentando a decisão do general mineiro e prometeu uma resposta às movimentações de tropas no estado. “Diante dessa situação, o presidente recomendou ao ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro, que fossem tomadas providências imediatas para debelar a rebelião, tendo sido deslocadas para Minas unidades do 1º Exército. “Lamentamos que uma aventura golpista tenha sido lançada em Minas, terra das melhores tradições cívicas do povo brasileiro.”

              A tropa que partiu da capital acabou mudando de lado e se juntou às tropas do general Mourão Filho no início da noite. Aos poucos, as cidades próximas à fronteira entre Minas e Rio foram sendo ocupadas pelos soldados mineiros, mas em nenhum dos casos houve resistência ou confronto com moradores. Durante o dia 1º de abril, os militares ocuparam várias cidades na Baixada Fluminense e o Alto-Comando do Exército acelerou as articulações para tomar o poder. Sem reação do governo ou dos grupos que o apoiavam, João Goulart deixou o Rio de Janeiro em direção a Brasília, e em seguida, para Porto Alegre, onde Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, tentava organizar uma resistência.

          O golpe contra o governo de Jango foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira e, desde o início, recebeu a adesão dos então governadores do Rio, Carlos Lacerda, e de São Paulo, Adhemar de Barros. Como forma de impedir uma suposta ameaça de “esquerdização” do país, o golpe militar foi aplaudido por empresários, pela imprensa e pela Igreja Católica.

               Carlos Lacerda foi uma figura fundamental para episódio do golpe, pois ele realizou uma transmissão em rádio conclamando contra o governo de Jango. Em 24 horas, o tanque que guardava o palácio Laranjeiras, onde estava Jango, deixou o local e estacionou em frente ao Palácio Guanabara, disposto a proteger o governador Carlos Lacerda. A movimentação do tanque foi simbólica sobre a mudança de lado dos militares que ainda apoiavam Jango.

               Na capital federal, Jango não encontrou nenhum sinal que o fizesse acreditar que poderia continuar no cargo. Com o clima de fim de governo, embarcou para o Rio Grande do Sul perto das 23 horas. A viagem serviu para o Congresso Nacional considerá-lo deposto, mesmo que isso significasse passar por cima da Constituição, que previa a vacância do cargo somente no caso de o presidente deixar o país. Lacerda, ao comentar o desfecho do golpe, declarou entre lágrimas na televisão: “Obrigado, meu Deus, muito obrigado”. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, assumiu a presidência temporariamente. O Brasil estava sob nova direção.

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