A Música Popular Brasileira e a ditadura militar

Por Thaís Constante

Em 1964, quando o regime militar foi instalado, o Brasil tinha movimentos organizados. Sindicatos, movimento estudantil, movimentos de trabalhadores do campo, movimentos de base dos militares de esquerda dentro das Forças Armadas. Tinham grande representatividade desses setores para tentar mudar o destino politico da nação.

Com a ditadura, esses movimentos foram sufocados. Em 1968, os estudantes ainda eram os maiores inimigos do regime militar. A censura tentou silenciar quem tinha algo a dizer. Mas os artistas acharam uma maneira de expressar suas opiniões. Encontraram na músicauma forma de dizer ao mundo que a liberdade de expressão no Brasil estava extinta.

Com os festivais da MPB, o regime militar sentiu-se ameaçado. Movimentos como a Tropicália passaram a incomodar os militares. A censura tornou-se a forma que os generais encontraram para combater as músicas de protesto. Para censurar a arte, foi criada a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP). Esta censura prévia não tinha um critério definido. Os censores poderiam vetar tanto por motivos políticos ou por “proteção à moral”.

Compositores como Milton Nascimento e Chico Buarque foram adeptos da Tropicália. Os dois compuseram a música “Cálice”, que reflete bem a situação do período do regime militar. João Bosco e Aldir Blanc compuseram “O bêbado e a equilibrista”, que fala sobre os exilados. Um retrato do Brasil no final do período da ditatura. A música representa a população que, mesmo oprimida, ainda consegue manter o bom humor.

Outro grande músico do período foi Geraldo Vandré, que compôs a canção “Para não dizer que não falei das flores”, que foi um hino contra a ditadura. A música abordava as injustiças, destacando a presença do Exército nas ruas, e convocava as pessoas para se unirem na luta contra a ditadura. Geraldo foi preso, torturado e exilado, assim como a maioria dos artistas da época. Outras músicas também confrontaram o regime militar como: “Panis et Circenses”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, “Apesar de você”, de Chico Buarque, e “Cartomante” de Ivan Lins e Victor Martins.

censurado

Os Exilados:

Durante a ditadura militar, muitos artistas e acadêmicos brasileiros tiveram que sair do país para fugir da repressão. Os principais exilados eram de classe média. Mesmo no exterior, eles ainda tentavam combater a ditadura militar, divulgando o que estava acontecendo no país. O cantor Caetano Veloso foi considerado um revolucionário, devido às letras de suas músicas e acabou preso e exilado. Foi para a Inglaterra junto com Gilberto Gil. O dois foram acusados de terem desrespeitado o hino nacional e a bandeira do Brasil.

Curiosidades:

-Gilberto Gil fez a composição da música “Aquele Abraço” após ter sido preso em um camburão. Ele acreditava que seria morto;

-Muitos exilados, na época da ditadura, são pessoas bastante conhecidas. Entre eles: Dilma Rousseff, José Dirceu, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros;

-Em 1969, os cantores Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque de Holanda foram voluntários a ir para o exílio;

Músicas do período da ditadura militar:

“Caminhando” (Pra não dizer que falei das flores) é uma música de Geraldo Vandré, lançada em 1968.

“O bêbado e o equilibrista”, foi composto por Aldir Blanc e João Bosco e gravado por Elis Regina, em 1979.

“É proibido proibir” é uma música de Caetano Veloso, lançada em 1968. Esta canção era uma manifestação das grandes mudanças culturais que estavam ocorrendo no mundo na década de 1960.

“Jorge Maravilha”, lançada em 1974, é mais uma música de Chico Buarque, agora sob o pseudônimo de Julinho de Adelaide, criado para driblar a censura.

 

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