Desaparecimento de Stuart Angel se transforma em drama para Zuzu

Por Luan Medeiros

Anos 70.  A estilista brasileira Zuleika Angel Jones, Zuzu Angel brilhava nas passarelas de Nova Iorque. Já no Brasil, a ditadura militar entrava em sua pior fase, os Anos de Chumbo. Durante esse período, um grupo de jovens estudantes de classe média tenta mudar o país, lutando contra esse regime autoritário. Entre eles, está Stuart Angel Jones, filho do americano Norman Jones e a da estilista brasileira.

A história da incansável brasileira que lutou por justiça pela morte de seu filho, militante socialista. Quando acreditava que ele estava apenas preso pelos militares, Stuart Angel já sofria com as torturas praticadas pela ditadura. Cansada de não obter auxílio das autoridades brasileiras para descobrir o paradeiro de seu filho, Zuzu utiliza todo o prestígio conseguido por ela no mundo da moda e celebridades para fazer ecoar a sua voz. Com esse fato, logo foi considerada perigosa pelos militares.

Zuzu passa a escrever cartas para artistas e grandes influenciadores como Chico Buarque (veja trecho da carta para o cantor), contando sobre a tortura e o desaparecimento do corpo de seu filho, além de falar a sua história para o maior número de pessoas possível. Nenhum jornal poderia divulgar o nome de Stuart Angel, pois as autoridades censurariam.  Em um dos desfiles, utilizou imagens dos abusos realizados pelos militares para estampar suas peças. Foi a primeira coleção de moda política da história. Graças a essa coleção, Zuzu Angel conseguiu despertar o interessa da mídia internacional pelo assunto, mas nunca passou disso. Ninguém realmente se interessava pelo seu drama tampouco pelas histórias dos torturados no Brasil e na América Latina.

Na contramão dos abusos que os chamados comunistas sofriam, o Brasil crescia exponencialmente. O Produto Interno Bruto (PIB) batia facilmente dois dígitos. O governo do General Médici foi caracterizado pela estabilidade econômica, o que ajudou a alta cúpula que comandava o país em manter a sociedade alheia à repressão e tortura praticadas pela ditadura.

Foi nesse cenário de caos político e “paz” financeira que Zuzu buscava apoio de contatos internacionais, em especial os americanos, já que seu filho possuía dupla nacionalidade. Chegou a pedir ajuda ao secretário de Estado americano. Entretanto, quanto mais ela buscava denunciar a verdade, mais era perseguida.

A história de Zuzu Angel, porém, desperta o interesse de uma pequena parte da sociedade brasileira que era contrária à ditadura. A versão mais conhecida e difundida da morte do militante socialista foi contada pelo ex-guerrilheiro e amigo de Stuart, Alex Polari. De acordo com seu depoimento à imprensa na época, Alex garantiu que viu o corpo de Stuart sendo arrastado por um jipe do Exército com a boca presa ao cano de descarga do automóvel. Polari escreveu uma carta destinada a Zuzu Angel a respeito do ocorrido. De posse dessa mensagem, ela denunciou o desaparecimento de seu filho às autoridades americanas, porém nunca conseguiu o apoio necessário para dar continuidade a sua busca.

Zuzu Angel morreu num suspeito acidente de carro entre a Gávea e São Conrado, na cidade do Rio de Janeiro. O túnel em que ela faleceu hoje leva o seu nome.

Confira o trailer d0 filme inspirado na história de Zuzu Angel e seu filho Stuart:

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Música feita por Chico Buarque conta a triste história vivida pela família Angel:

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