30 anos das Diretas

População vai para as ruas exigindo votações diretas

Por Júlia Faroni

       No dia 25 de abril de 2014 completaram-se exatos 30 anos que a Câmara dos Deputados votou e derrotou a emenda das Diretas Já. Foi a última derrota que a ditadura impôs ao país, uma vez que o regime militar já vinha enfraquecido por diversas e sucessivas crises econômicas. Além disso, existia a total rejeição da população, que há meses estava nas ruas manifestando seu desprezo pelo regime militar, mobilizada pela campanha das Diretas Já, o maior movimento cívico da história do país.

       A Emenda Dante de Oliveira, apresentada em 1983 pelo deputado Dante de Oliveira, precisava de 320 votos para ser aprovada. Entretanto, obteve somente 298, ou seja, 22 a menos que o necessário. Os 62 deputados que votaram contra eram de partidos de sustentação da ditadura. A derrota foi reforçada por outra estratégia decisiva da ditadura, que pressionou 113 deputados a faltar à sessão. Além de três abstenções.

       Depois daquele 25 de abril de 1984, a ditadura, sem conseguir mais a mínima sustentação, tendeu para o seu fim e  pouco menos de um ano depois, no dia 15 de março de 1985, o general Figueiredo deixava o Palácio do Planalto. O presidente Tancredo Neves, eleito pelo Colégio Eleitoral, fora internado no Hospital de Base de Brasília na noite anterior e morreu no dia 21 de abril. O vice-presidente José Sarney ocupou seu lugar, cumprindo o mandato até 1990.

       Tancredo costumava fazer declarações públicas pró-diretas e negociava a transição com os militares para se eleger presidente pelo Colégio Eleitoral, que ele julgava mais fácil do que pelo voto popular. Entretanto, o PT não apoiou a eleição no Colégio Eleitoral e pagou alto preço por isso, sofrendo acusações de que não apoiava a transição e dificultava o fim da ditadura. A negativa de apoio do PT não teve a ver com encontros e negociações de Tancredo com os militares. O partido era contra a transição conservadora, conciliada, por cima, mais uma vez feita por meio de acordos com as elites em que o povo era excluído.

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