Eleição e morte de Tancredo Neves

Ulysses Guimarães (ao centro), ao lado de Tancredo (à esquerda) e José Sarney (à direita): chapa venceu no Colégio Eleitoral

Por Júlia Faroni

         Quando a emenda constitucional que propunha eleições diretas para presidente foi rejeitada pelo Congresso Nacional, Tancredo Neves, um dos principais personagens do movimento que mobilizou o país em defesa do voto livre, popularmente conhecido como “Diretas Já“, sentiu que era sua hora e candidatou-se à presidência. Apesar de ter que concorrer no Colégio Eleitoral, formado em sua maioria por deputados e senadores do governista Partido Democrático e Social, Tancredo Neves acreditava que poderia vencer. Por eleição indireta, contrariando os apelos de “diretas já” da população brasileira, a escolha do líder do executivo nacional ocorreu no dia 15 de janeiro de 1985, data que simboliza o fim de mais de vinte anos de ditadura militar.

          A disputa ficou entre Paulo Maluf, que representava o antigo PDS (Partido Democrático Social), e Tancredo, representando o recém-criado PMDB. Tancredo obteve 480 votos, que representavam 70% dos eleitores, e Paulo Maluf, apenas 180. Em 1985, Tancredo Neves era eleito primeiro presidente civil após a ditadura militar.

          Devido à vitória de Tancredo e por seu histórico de luta, a frustração da população diminuiu. Entretanto, a tão esperada posse nunca ocorreu. No dia 14 de março, véspera de assumir o cargo, o ex-governador de Minas Gerais teve de ser operado às pressas no Hospital de Base, em Brasília. Com outras seis operações marcadas, a ansiedade se estendeu até o momento de sua morte, que foi anunciada no dia 21 de abril.

          A decepção da população aumentou quando José Sarney, que era o vice na chapa de Tancredo, assumiu o cargo. Sarney era ligado aos militares, e um dos líderes que impediu a aprovação da emenda das Diretas no Congresso. Ao assumir a Presidência da República após a morte de Tancredo, consumava-se a “transição transada” para a democracia, ou seja, uma reorganização das elites sem alterações estruturais na sociedade e sem a desmontagem da herança autoritária.

 

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