“Eu quero uma anistia ampla, geral e irrestrita”

Por Yasmin Dias

         Militares perseguidos pela ditadura militar concederam, em audiência pública, depoimentos à Comissão Nacional da Verdade, na cidade do Rio de Janeiro. Entre os depoimentos de seis pessoas ouvidas, foi comum o tom de insatisfação com a aplicação da Lei da Anistia aos militares punidos pelo regime de exceção, que comandou o país entre 1964 e 1985.

         Os depoimentos frisaram que os militares punidos pela ditadura não tiveram a mesma anistia que aqueles que integraram o regime. Segundo eles, as dificuldades vão desde a garantia de pensão para esposas e filhas, até a possibilidade de ascender às patentes que companheiros de farda contemporâneos fiéis à ditadura conseguiram.

         Além disso, eles reclamaram que as Forças Armadas continuam os tratando de maneira diferenciada, como se fossem militares de segunda classe. O depoimento oferecido por Luiz Carlos de Souza Moreira, capitão-de-mar-e-guerra, mostrou que esse contraste ainda existe. “Continuamos discriminados e punidos. Não querem nos deixar voltar à condição de militar. Até hoje somos rotulados e mal recebidos nos quartéis. Você é olhado com desconfiança. Eles estão nos humilhando”, disse ele.

         Expulso da Marinha em 1964 por trabalhar com almirantes leais ao então presidente da República João Goulart, Moreira declarou que ainda espera uma anistia completa, assim como as dos militares que permaneceram nas Forças Armadas. “Eu quero uma anistia ampla, geral e irrestrita como tiveram os torturadores”, declarou em seu depoimento.

         Para Paulo Cunha, consultor da Comissão Nacional da Verdade, a anistia deveria apagar o passado desses militares, mas não é o que ocorre. “Eles ainda são vistos como párias, como pessoas não muito bem vistas. Muitos deles não têm nem herdeiros para deixar [pensões]. Eles só querem o reconhecimento de um direito”, disse. A audiência pública também serviu para que alguns militares fornecessem informações sobre episódios antes e durante a ditadura militar de 1964.

População a favor da Lei da Anistia

 

 

 

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