“É preferível morrer a perder a vida”

Por Luan Medeiros

Tito de Alencar Lima, conhecido como frei Tito foi símbolo da luta pelos direitos humanos nos Anos de Chumbo. Seu corpo foi achado enforcado no convento de L’Arbeste, nos arredores de Lyon, França, onde se manteve exilado durante o período do regime militar.

Em 1969, frei Tito cursava Filosofia na USP (Universidade de São Paulo) e já possuía em seu currículo um histórico de militância: foi dirigente nacional da Juventude Estudantil Católica, um dos primeiros movimentos cristãos de estudantes da época. A prisão de Tito ocorreu no dia 3 de novembro de 1969 e, junto com ele, também foram presos outros dominicanos, ordem a qual o frei fazia parte.

Interrogado e torturado por diversas vezes nos porões da ditadura, permaneceu durante 30 dias no DOPS em São Paulo. O frade dominicano foi colocado no pau-de-arara e recebeu choques elétricos na cabeça. Mesmo com a tortura a qual foi submetido, frei Tito nunca falou. “É preferível morrer a perder a vida”, anotou em sua agenda, depois de uma de suas sessões de tortura.

Em 1970, sob custódia da “Operação Bandeirante”, frei Tito escreveu sobre a sua tortura num documento que rodou o mundo, tornando-se um dos símbolos da luta pelos direitos humanos na ditadura. Quando foi solto, em dezembro do mesmo ano, pediu exílio no Chile, de onde seguiu para Itália e França. As feridas de seu corpo cicatrizaram, mas as torturas deixaram marcas incuráveis em sua alma.

Documentário sobre a vida e luta de frei Tito:

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